JBS

Polícia Federal prende Wesley Batista, irmão de Joesley

Pedido de prisão foi feito porque irmãos Batista teriam usado as próprias delações para obter ganhos no mercado financeiro

Por Zero Hora
13/09/2017 - 07h24min
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Foto: SUAMY BEYDOUN / AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Federal (PF) prendeu temporariamente, na manhã desta quarta-feira (13), o empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, irmão de Joesley Batista. Ambos são investigados por manipularem o mercado financeiro ao usarem as próprias delações premiadas, cuja divulgação traria impactos na cotação do dólar e no valor das ações da empresa, para obter lucros. As irregularidades teriam ocorrido entre abril e maio deste ano.

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A ordem foi expedida pela 6ª Vara Criminal de São Paulo, a pedido da PF. Joesley, já preso desde domingo (10) após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, também é alvo da ação da PF, com mais um mandado de prisão. Foram cumpridos, ainda, dois mandados de busca e apreensão. 

A operação recebeu o nome Acerto de Contas e é a 2ª fase da Operação Tendão de Aquiles, que, em 9 de junho, apreendeu documentos, mídias, telefones celulares e informações de HDs em dois endereços da JBS.

A primeira fase da Operação Tendão de Aquiles foi acompanhada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM – responsável por apurar irregularidades no mercado financeiro) e cumpriu três mandados de busca e apreensão, além de quatro de condução coercitiva.

Entenda a investigação
A Polícia Federal atua em duas frentes. Uma foi a venda de ações da JBS na Bolsa de Valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a FB Participações, durante o programa de recompra de ações da empresa, reiniciado em fevereiro de 2017.

A segunda investigação foi a compra de dólar no mercado futuro (com valor da cotação acertado previamente) horas antes da divulgação de Joesley e Wesley fizeram delação premiada. O volume de compra, diz a PF, não foi como de costume da empresa, o que demontra o uso irregular de informação privilegiada. 

As autoridades afirmam que Joesley e Wesley foram responsáveis pelas duas irregularidades.

Em nota, o advogado dos irmãos Batista, Pierpaolo Bottini, afirma que a prisão é "injusta e absurda". “Sobre a prisão dos irmãos Batista no inquérito de insider information, é injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça”.

Os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

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