Fé pública ou má fé? 

Defensoria busca indenizações para dezenas de vítimas de fraude em cartório de Porto Alegre

Promessa do tabelionato de resolver amigavelmente a questão foi cumprida apenas parcialmente

Por Humberto Trezzi
04/09/2017 - 11h53min
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Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul luta há um ano para que sejam indenizadas vítimas de fraude praticada em um dos maiores cartórios gaúchos, o 2º Tabelionato de Notas de Porto Alegre — até o momento, sem sucesso. A ação civil pública proposta pelos defensores (advogados gratuitos, pagos pelo Estado) foi negada duas vezes pela Justiça Estadual, sob argumento de que o próprio cartório se propôs a resolver a questão amigavelmente. Só que isso aconteceu em apenas alguns casos, não na maioria, alerta a autora do pedido, a defensora pública Patrícia Kettermann.

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O caso de fraude no 2º Tabelionato é um dentre os que ocorreram 27 cartórios investigados pela Justiça Estadual por irregularidades diversas. É o que revelou o Grupo de Investigação da RBS (GDI), em reportagem publicada na sexta-feira (1º). Patrícia pretende utilizar a reportagem e os relatos de vítimas ali expostos para demonstrar que o cartório não devolveu dinheiro a todos os prejudicados, de forma amigável, como imaginam os juízes que negaram provimento à ação civil pública.

— Até hoje somos procurados por dezenas de vítimas do 2º Tabelionato, tentando obter regularização de documentos inválidos. Ingressamos de início em nome de oito pessoas, mas a ação, se aceita, vai beneficiar todas as vítimas — pondera a defensora pública, que recorreu judicialmente para tentar indenizações aos clientes.

A Defensoria Pública presta atendimento a quem ganha até três salários mínimos, mas a ação civil coletiva pode beneficiar todas as vítimas, mesmo as que têm renda mensal superior. A Defensoria requer devolução, em dobro, dos valores cobrados de consumidores por serviços não prestados pelo cartório. E solicita danos morais coletivos, no valor de quatro mil salários-mínimos, a serem repartidos entre dezenas de vítimas.

Em resposta à ação civil pública proposta, o interventor do cartório declarou que tem adotado um critério que julga justo, o atendimento de imediato aos pleitos evidentes (com fraude já comprovada), mas ressalva que as receitas do tabelionato são limitadas, "haja vista o passivo existente no ofício", além das despesas correntes com funcionários e outros encargos.

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