Porto Alegre

Secretário da Educação convoca 50 escolas para debater tráfico

Após reportagem que flagrou venda e uso de drogas no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, Piratini anuncia medidas

Por Jeniffer Gularte
21/08/2017 - 19h57min
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Jovem vende maconha para outro estudante no pátio de tradicional escola da Capital 
Jovem vende maconha para outro estudante no pátio de tradicional escola da Capital  Foto: Mário Jr./RBS TV / Agencia RBS

A Secretaria Estadual da Educação decidiu reunir as direções das 50 maiores escolas da Capital na próxima segunda-feira para discutir segurança, consumo e tráfico de drogas nas instituições. 

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A definição ocorreu na tarde desta segunda-feira (21) em uma reunião interna da secretaria, motivada após a divulgação da reportagem do Grupo de Investigações da RBS (GDI) que flagrou o consumo e a venda de entorpecentes dentro do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, a mais tradicional escola pública do Estado. 

O objetivo do encontro, segundo o secretário da Educação Ronald Krummenauer, é ampliar o debate para escolas que, como o Julinho, estão mais vulneráveis ao tipo de situação que a reportagem apontou. As direções das instituições poderão apresentar seus relatos e discutir soluções em conjunto. Para o secretário, além de ações corretivas, as alternativas devem ser baseadas na prevenção.

– Vamos chamar as escolas onde se concentram o risco. A segurança não é questão de apenas uma escola e o problema das drogas não é restrito ao Julinho. O aluno sair da escola, buscar droga e retornar com uma naturalidade de quem saiu para comprar um lanche, é inaceitável. A reportagem teve um papel importante de tornar esse fato público. E isso tem um efeito educativo – considerou. 

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Esta semana, Krummenauer irá se reunir com a diretora do Julinho, Fernanda Gaieski, para avaliar a mudança de horário e de tarefas dos cinco monitores que atuam na escola e a necessidade de contratação de mais um. A extensa área física da escola localizada no bairro Santana dificulta o monitoramento da circulação dos estudantes. Os flagrantes da reportagem mostraram que estudantes começam a consumir drogas às 8h, horário em que deveriam estar na sala de aula.

– Estou trabalhando com a Secretaria de Administração para reavaliar o próprio espaço físico de algumas escolas, que é muito grande e não são usados. Daqui a pouco, uma alternativa é dar outro destino a estas áreas – propõe.

Ao longo da semana, Krummenauer também deve se reunir com o secretário da Segurança, Cezar Schirmer, com quem já conversou por telefone ontem. A Seduc pretende pedir auxilio à Secretaria da Segurança e à Brigada Militar para ações que envolvam as áreas externas às grandes escolas. Já as atividades internas serão trabalhadas por meio das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar, das quais as escolas da Capital – que até agora eram as únicas do Estado a não participar – vão começar a fazer parte. 

– Uma pessoa da 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) será designada especialmente para isso. A partir de agora, as escolas da Capital terão suas próprias ações de prevenção de violência – promete o Krummenauer. 

Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, o secretário prometeu providências urgentes: 

– Me sinto muito mal ao ver isso. Hoje um dos grandes motivos de evasão escolar é o tráfico de drogas. Esse é um problema sério. A partir dessa reportagem se abre uma oportunidade de revermos a maneira como estamos tratando a segurança das escolas e principalmente essa circulação de pessoas. Isso é inaceitável como sociedade. 

O diretor de investigações do Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc), delegado Mario Souza, também reconhece a importância de trazer o tema à tona. Ele destaca que o jovem deve ser protegido porque é ele o maior alvo traficante:

– Este problema vem sendo enfrentado. A relação entre a polícia, os professores e as escolas é estreita e tem dado muito certo. 

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