Opinião

Cíntia Moscovich: o sarau e um adeus

A colunista escreve sobre os 18 anos do projeto Sarau Elétrico

Por Cíntia Moscovich 17/07/2017 - 10h33min · Atualizada em 17/07/2017 10h51min
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Alvíssaras: neste mês de julho, o Sarau Elétrico completa 18 anos de existência. Ponto de resistência e referência cultural idealizado por Kátia Suman, uma das mais conceituadas jornalistas da área, o Sarau se consagrou no maravilhoso casarão do bar Ocidente – outro ícone do melhor que a cidade pode produzir em termos de novidade e de oposição ao mainstream. 

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Atividade simples na essência e que se baseia na leitura de textos relacionados ao tema da noite – de sexo à política, literalmente tudo o que é humano interessa –, sempre abotoado por uma canja musical, o Sarau é uma atividade civilizadora na província, tendo inspirado vários e bem-vindos eventos semelhantes. Formado por uma tripulação que conta, entre seus membros fixos e flutuantes, com Luís Augusto Fischer, Frank Jorge, Cláudio Moreno, Claudia Tajes, e Diego Grando, o grande apelo do Sarau são as pérolas selecionadas pelos participantes – e saber ouvir talvez seja o ato mais revolucionário em Porto Alegre. Com mais de 800 edições, nas banquetas do Sarau foram lidas páginas essenciais da literatura ocidental, ao mesmo tempo em que o professor Moreno levava a plateia a visitar os gregos, Frank falava da crocância de alguma palavra e Claudia fazia todo mundo rir de alguma barbaridade – e essa miscelânea de coisas e de assuntos que sempre se acertam de maneira despretensiosa e certeira talvez explique a longevidade do Sarau.

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Se Porto Alegre é, como se diz, a capital internacional da obsolescência programada, das bandas de rock cover e dos candidatos a escritor, o Sarau veio para inaugurar um tempo de originalidade que ultrapassa qualquer destino previamente traçado. Demos graças.

Nem tudo são boas notícias neste mês de julho. Na semana passada, o câncer continuou a colher vidas entre os bons: perdemos a escritora Elvira Vigna, aos 69 anos. Carioca radicada em São Paulo, Elvira é das vozes mais originais já surgidas na literatura brasileira. Nossa sorte é que a obra é imortal.

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