André Baibich

O Inter sofre porque, desde o ano passado, está em um eterno recomeço

Clube parece adotar um atrapalhado método de tentativa e erro com a esperança de acertar

Por André Baibich
16/07/2017 - 19h34min
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Foto: Ricardo Duarte / Inter, Divulgação / Inter, Divulgação

A instabilidade de um Inter incapaz de repetir bons desempenhos tem a ver com um processo que se repete desde o ano passado. Do 2016 repleto de trocas de treinadores malucas até o 2017 com cargas de pressão quase insuportáveis, o clube está em um eterno recomeço. As oscilações são típicas desse momento inicial dos trabalhos, uma fase da qual o Inter não consegue se livrar.

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As trocas de técnicos atiram o time nessas incertezas, mas não só elas. Tanto Zago quanto Guto mudaram esquemas táticos e modelos de jogo várias vezes. Apostava-se em uma estrutura, ela rendia uma boa atuação, depois a equipe não dava resposta no jogo seguinte e o treinador já mudava, pressionado pela carga de tensão do ambiente. É quase um atrapalhado método de tentativa e erro até acertar.

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Guto repetiu a escalação pela terceira vez contra o CRB, o que é uma evolução. Mas ainda não são 10, 15, 20 jogos de uma mesma base a azeitar movimentos coletivos, que tanto fazem falta. Normal, portanto, que o time ainda produza desempenhos tenebrosos como o visto em Maceió. Só não se justifica, diante do peso negativo desse constante "começar de novo", que se fale novamente em demitir o treinador.

GUTO ERROU — Pregar a permanência do técnico não quer dizer tapar os olhos para seus equívocos. Guto mexeu mal no time em Maceió. Apostou em jogadores de velocidade como Cirino e Carlos, quando precisava de toque de bola e aproximação. É um erro com participação direta da diretoria, que contratou bons jogadores, mas falhou ao não ver o acúmulo de peças de velocidade combinado com a carência de articuladores. Uma receita fadada ao fracasso para um time que enfrentaria defesas fechadas, que negam espaço a atacantes rápidos.

VENCER É PRECISO — Descontados todos os problemas do Inter, ainda é possível tomar medidas emergenciais para fazer com que o time vença, mesmo que demore algum tempo para que se torne confiável. A passividade com que a equipe inicia os jogos, sem arriscar uma forte marcação adiantada para buscar o desarme e encurralar o adversário, é inaceitável. Especialmente em jogos no Beira-Rio. Se o Inter tem tanta dificuldade para construir, por que não tomar a bola lá na frente, perto do gol, onde não é necessária uma longa jogada de trocas de passe para criar uma chance? Enquanto não encaixa, em um processo que deve demorar algum tempo, o Inter não pode se dar ao luxo de seguir patinando. Intensidade e eficiência nas bolas paradas podem ser um atalho para vitórias, ainda que o bom desempenho não as acompanhe.

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